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 EXPOSIÇÃO // CONVERSASEXHIBITION // TALKS



ECONTRAR-TE -EI *
Guillaume Vieira



Guillaume Vieira é licenciado com distinção em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, concluída em 2008, e obteve o mestrado em Estética pela Université Paris-1 Panthéon-Sorbonne em 2016. O seu percurso artístico foi moldado por residências de prestígio, incluindo passagens pelo Centquatre em Paris em 2010, pelo projeto Lamparina no Alandroal em 2014 e pela Estufa Fria em Lisboa em 2025. O reconhecimento precoce do seu trabalho chegou com um prémio na exposição Anteciparte'09, apresentada no Museu da Fundação Oriente em Lisboa.

O seu projeto mais recente, Bubuia, é um projeto de grande escala desenvolvido em colaboração com João Mouro e com curadoria de Liliana Coutinho. Esta grande instalação, que se estende por toda a infraestrutura do jardim e do Centro de Interpretação, foi realizada em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e recebeu financiamento da Fundação Gulbenkian.

Entre os seus projetos anteriores de destaque, contam-se as exposições Da Natureza dos Afetos na Casa da Avenida em Setúbal em 2025, e Álbum de Família na Coleção Carmona e Costa em 2024, com curadoria de Manuel Castro Caldas e João Pinharanda. Em 2023, realizou uma exposição individual intitulada Photosynthesis no Mu.Sa - Museu das Artes de Sintra. Antes disso, em 2022, apresentou o foto-filme L'Emmurée de Paris, um projeto colaborativo com Laurent Roth financiado pelo Centre National de la Cinématographie, pela Société Civile des Auteurs Multimédia e pela Câmara Municipal de Paris, que estreou ao público na Cité de l'architecture em Paris.
Guillaume Vieira holds a degree with distinction in Sculpture from the Faculty of Fine Arts in Lisbon, completed in 2008, and earned a Master’s degree in Aesthetics from the Université Paris-1 Panthéon-Sorbonne in 2016. His artistic journey has been shaped by prestigious residencies, including stints at the Centquatre in Paris in 2010, the Lamparina project in Alandroal in 2014, and the Estufa Fria in Lisbon in 2025. Early recognition of his work came with an award at the Anteciparte’09 exhibition, presented at the Museu da Fundação Oriente in Lisbon.

His most recent endeavor, Bubuia, is a large-scale project developed in collaboration with João Mouro and curated by Liliana Coutinho. This major installation, which spans the entire infrastructure of the garden and Interpretation Center, was realized in partnership with the Lisbon City Council and received funding from the Gulbenkian Foundation.

Among his previous notable projects, key exhibitions include Da Natureza dos Afetos at the Casa da Avenida in Setúbal in 2025, and Álbum de Família within the Carmona e Costa Collection in 2024, curated by Manuel Castro Caldas and João Pinharanda. In 2023, he held a solo exhibition titled Photosynthesis at the Mu.Sa - Museu das Artes de Sintra. Prior to this, in 2022, he presented the photo-film L’Emmurée de Paris, a collaborative project with Laurent Roth funded by the Centre National de la Cinématographie, the Société Civile des Auteurs Multimédia, and the Paris City Council, which premiered to the public at the Cité de l'architecture in Paris.
















 






CONVERSA//
VIVER É UM TOUR
TALK//
LIVING IS A TOUR

Uma longa viagem para regressarmos a nós próprios. Turismo. [τόρνος] A ideia nasceu em França com a família Della Tour, que mimou o rei Luís XV por toda a Europa, garantindo para si rotas comerciais exclusivas. [Pensavam que a aristocracia a subornar o poder era um conceito moderno? Que fofo.]

A França aperfeiçoou o Grand Tour ao longo do século XVIII como um privilégio reservado aos mais ricos. Hoje, celebramos o seu descendente democrático: os cruzeiros dos Bateaux Parisiens, onde de 15 em 15 minutos se vende um passeio ao longo do Sena — uma viagem de ida e volta da Torre Eiffel à Place de la Bastille. Para mim, para si e para mais quinhentos dos nossos mais íntimos desconhecidos.

Os humanos tiram fotografias porque a memória é subjetiva, e a subjetividade exige um aparelho para ressuscitar sensações imateriais. Há demasiadas viagens agora — demasiado superficiais, demasiado sobrepostas, demasiado saturadas — para que possamos realmente memorizar qualquer distância física entre elas. Um dia, ao vaguear pelos Champs-Élysées, presenciei um destes seres discípulos supremos dizer aos seus pares aquilo que só posso descrever como a mais sábia das observações: “Isto parece Veneza.” — Touché, pensei para mim.

O turismo tornou-se tão vasto, tão implacavelmente grandioso, tão contagioso em todas as camadas do CMYK, que evoluiu para uma entidade por direito próprio: o mito de satisfazer o desejo antes de alcançar o conhecimento assumiu a forma física que hoje contemplamos.

Hoje, em Lisboa, expande-se de tantas maneiras que só um neoliberal as consegue verdadeiramente apreciar. Aqui, estendeu-se muito para além do seu propósito original. Encontrar-se a si mesmo tornou-se um pretexto para se impor — atravessar o mundo sem pensar, sem curiosidade, sem vergonha, despojado do atrito que nos permitiria navegar em direção à sabedoria. Já não queremos sentir o nosso próprio pulso. Manifestamo-nos através de impulsos externos para manter um estado de perpétuo estranhamento de nós próprios.

“Caminhante, não há caminho. O caminho faz-se ao andar”, como disse António Machado.

Olhe à sua volta. Onde está agora? Consegue encontrar-se? Tenho a certeza de que está aqui, algures. E é precisamente por isso que nos reunimos: para celebrar a Arte de Olhar. [Procur.arte]

No entanto, este não é um caminho solitário. Ansiamos por ressonância — um conforto vindo do mundo exterior. Confiamos mais na luz dos outros do que na luz que carregamos dentro de nós. Uma força misteriosa leva-nos perpetuamente a depositar a nossa fé no exterior — como se a luz precisasse de chegar na diagonal para ser vista.

Mas não se preocupe. Não há razão para FOMO (fear of missing out), como dizem lá fora.
Vou guiá-lo da melhor maneira que souber. Juntos, vamos encontrar-nos.



A long journey to return to ourselves. Tourism. [τόρνος] The idea was born in France with the Della Tour family, who coddled King Louis XV across Europe, securing exclusive trade routes for themselves. [Did you think the aristocracy bribing power was a modern concept? How cute.]

France perfected the Grand Tour throughout the 18th century as a privilege reserved for the wealthiest. Today, we celebrate its democratic descendant: the Bateaux Parisiens cruises, where every 15 minutes a ride along the Seine is sold—a round trip from the Eiffel Tower to the Place de la Bastille. To me, to you, and to five hundred more of our most intimate strangers.

Humans take photographs because memory is subjective, and subjectivity demands an apparatus to resurrect immaterial sensations. There are too many journeys now—too superficial, too overlapping, too saturated—for us to truly memorize any physical distance between them. One day, while wandering down the Champs-Élysées, I witnessed one of these supreme disciple beings utter to his peers what I can only describe as the wisest of observations: “This looks like Venice.” — Touché, I thought to myself.

Tourism has become so vast, so relentlessly grand, so contagious across all layers of CMYK, that it has evolved into an entity in its own right: the myth of satisfying desire before achieving knowledge has assumed the physical form we contemplate today.

Today, in Lisbon, it expands in so many ways that only a neoliberal can truly appreciate them. Here, it has stretched far beyond its original purpose. Finding oneself has become a pretext for imposing oneself—crossing the world without thought, without curiosity, without shame, stripped of the friction that would allow us to navigate toward wisdom. We no longer wish to feel our own pulse. We manifest ourselves through external impulses to maintain a state of perpetual estrangement from ourselves.

“Traveler, there is no path. The path is made by walking,” as António Machado once said.

Look around you. Where are you now? Can you find yourself? I am certain you are here, somewhere. And that is precisely why we gather: to celebrate the Art of Looking. [Procur.arte]

Yet, this is not a solitary path. We long for resonance—a comfort derived from the outside world. We trust the light of others more than the light we carry within ourselves. A mysterious force perpetually compels us to place our faith in the exterior—as if light needed to arrive diagonally in order to be seen.

But do not worry. There is no reason for FOMO (fear of missing out), as they say out there.
I will guide you the best way I can. Together, we will find ourselves.
























 Procur.arte   
R. Neves Ferreira 8B, 1170-274 Lisboa


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